Quem somos afinal para julgarmos certo, ou errado, o que nos cerca, Deus? Não! Erramos, e cedo ou tarde, estaremos no lugar de quem agora julgamos, e com caras não menos desconcertadas estaremos nos desculpando, ou aceitando resignados os “fatos” que não compõem nossa realidade. Quando temos a oportunidade de produzir um conceito sobre algo ou alguém, estamos automaticamente criando precedentes para que qualquer outro ser humano se permita produzir qualquer tipo de conceito, ou (pre)conceito, sobre o que somos, ou o que somos aos olhos de quem nos ver naquele momento.
Num mundo em que tudo requer o atestado de funcionalidade para ter respaldo no sistema, somos obrigados a criar utilidades ao que naturalmente só tem como papel a simples possibilidade de criar-nos condições para uma emancipação. Não uma emancipação política, que nos cerca com todos os vícios virulentos tão comuns as classes dirigentes, mas antes, uma emancipação humana, uma tomada de consciência que nos permita ver além do que nos mostra o que achamos real. Afinal de contas, Descartes disse: “penso, logo existo”, no entanto, uma pedra não pensa o que não nos faz dizer que se for atirada contra uma cabeça ela irá desaparecer no caminho, antes de acertar o seu alvo.
*Créditos da foto Teobaldo Marinho de Souza Neto
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