segunda-feira, 2 de julho de 2012

Rosas, Balões e Saudades

As rosas são suas e os balões meus! Plante um jardim lindo, e regue-o todas as manhãs só para ter a noção do quanto é delicioso cuidar. Nos dias em que o mundo parecer quatro ou cinco vezes maior e as pessoas amadas estiverem distantes, a noite serenada guardará nas pétalas de uma das rosas o significado da palavra saudade, então perceberá impotente o quão dispensável é um roseiral de cinco mil flores. Quando o orvalho assentar sobre uma rosa, compreenderá então a sutil diferença entre amar e ter consciência do amor.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Dia Longo de Uma Noite Curta


Acordei cedo! Muito cedo para quem havia dormido tarde... Mas alguns “sacrifícios” valem muito a pena pelas coisas que fazem seu mundo parecer mais belo, mais leve. Caminhei aproximadamente por uma hora num bairro que gosto muito aqui na cidade, na companhia de uma linda cliente. O objetivo? Estudar algumas ruas e casas, linhas verticais e horizontais, que vão compor o próximo ensaio do Querosene Fotos. A beleza leve do meu dia? Fotografias! Viver é melhor quando se pode parar o tempo.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Que Pergunto ao Céu se Você Partir?


Fim de tarde de outono com nuvens espessas é como o coração de quem gosta e tem que deixar partir. Não há promessa de chuva e nem reconciliações, mas ainda assim é preciso ter esperança, como a alma de um sertanejo, resistente apesar da vida dura ou os sentimentos de um poeta, vagando pelo inferno, purgatório e paraíso em busca de sua amada, pois prova maior do gostar é deixar partir quando tudo clama pelo contrário.

P.S. Não vai! Se ficares, seremos um e fortes para resistirmos a tudo... 

domingo, 27 de maio de 2012

A Sutileza do Beijo e a Precisão das Carícias



Precisamos nos perder em alguns momentos, só para lembramos da necessidade de conhecermo-nos... Vagarmos a ermo, não a procura do caminho, mas do significado. Tenho agora todas as respostas, faltam, porém, as perguntas que lhes dão sentido. Busco um equilíbrio às vezes utópico e os espelhos insistem em refletir as ausências.
Qual o medo? Ou qual o motivo para tê-lo? Dissolvo-me todas as manhãs na lembrança de um sorriso estonteante... Ele invade meu quarto com a mesma força dos raios solares e se instala no meu peito como um abraço confortante.
Mas onde está, quando preciso sussurrar ao teu ouvido que é o cheiro e não o perfume que me faz querer tá perto? O carinho e não só a presença... O cuidado e não apenas o abraço... O desejo e não somente as formas... É difícil querer... É difícil só querer...
A harmonia dos gestos e o encontro perfeito com as palavras... A sutileza do beijo e a precisão das carícias... O sono entre os braços e imagem da vulnerabilidade... O sorriso meigo de olhos piscados... Ah, Meu Bem!!! Você, você e outra vez... Você... O resto é um céu nublado sem estrelas. 

sábado, 21 de abril de 2012

Tempo e Sentido

Saber que se ama, antes de sentir, 
é persuadir o tempo e convertê-lo em sentido... 
O resto é um vazio, acompanhado de uma taça de cooler, 
um sábado à noite e a Casa do Lago.

sábado, 31 de março de 2012

Felicidade Escrita com “N”


o que a tristeza não fizer pela alma humana,
Nenhum outro sentimento será capaz de fazê-lo.
A condição de fragilidade e abandono é a exata
Expressão de humanidade, o resto é o que se quer:
A respiração ofegante, os olhos cerrados,
E os lábios levemente apertados entre os dentes...
Não, isso, não é tristeza, é felicidade.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Caminho


Pelas ruas apertadas do caminho até você,
Há sempre uma luz no fim do túnel e a descoberta
De um poste ou da imagem da lua reluzente num céu
Estrelado. Se um anjo acompanhasse uma estrela cadente
E tivesse a responsabilidade de levar-me em seu retorno,
Restaria um pedido ou talvez um acordo. A esperança
Perdeu-se no horizonte de possibilidades em que se transformou
A vida humana, mas eu ainda a tenho e ela carrega coisas
Tão simples: o seu sorriso depois de um beijo. Um abraço silencioso
Quando nenhuma palavra faz sentido. O olhar terno de cumplicidade 
E o segredo de que guardamos um sentimento imenso dentro de nós, 
Esperando apenas que o medo cesse.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Prega-Dores

Os pregadores de todos os amores que fazem parte da minha vida. Os ocupados e invisíveis, estes sabem por si só que estão ali. Os vazios representados pelos desamores, e, por fim, os outros, livres do concreto e de perspectivas: estes carregam a certeza de nunca serem pregados, amados, integrados ou incorporados.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Ultimo Dia do Ano


Sei onde estou, mas não queria está. Dei alguns passos: fui para frente e para trás, girei 180 e depois 360º e estive no mesmo lugar ainda antes de parar. O que começamos amanhã é o exato complemento do final de hoje e as esperanças, desejos e vontades se refazem com a força da ideia de novidade. Espero a felicidade da incerteza dos convencimentos e o desejo de ser convencido da possibilidade de melhoras. Vou acreditar nas lágrimas com a singeleza dos olhos que brilham e a vida vai ser melhor.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

11/11/11


Queremos de volta a rebeldia dos tempos em que utopias eram  possíveis e que a militância era o caminho a ser seguido, pois abomino a normalidade com que o crime e a corrupção se continianizaram, e não aceito a desvalorização da vida em prol do capital. Compreendo o “terrorismo”, mas não entendo a apatia.

*homenagem ao curso de História do campus VI da Universidade do Estado da Bahia, pela assembleia estudantil do dia 08/11/11.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aspiro o Desejo de Ansiar



Aspiro à poesia brilhante dos
Olhos que não enxergam, e sentem
A vida em cada brisa que passeia
Pela face.

Desejo as lágrimas dos que já Choraram,
Por que sei que nunca me farão chorar.

Anseio pela voz dos falantes, e que
Eles nunca se calem em nenhuma das
Estações, e se em algum momento precisarem
Calar, que o silêncio seja provocado por
Um beijo, e, que a felicidade ocupe o que
Antes era som.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ausências Refletidas


Essa vida povoada de ausências torna a presença o motivo exato para nada dizer. Cria no silêncio provocado, incitado pelos espaços vazios, a consciência ilusória de liberdade, como se “estar com” fosse sinônimo de prisão. Presos por um abraço, ou livres solitários, crentes e fieis seguidores de um livre-arbítrio que não existe. Somos todos reféns do imediatismo das relações de borboletas, que só vivem vinte e quatro horas.

domingo, 4 de setembro de 2011

A Alma e o Vendaval

A primavera se aproxima cheia de ausências: faltam flores nas janelas e esperança nos olhares. Sobram dores no peito que ama e falta espaço no quadro que não escrevo. Para onde vão os pensamentos que não se concretizam? Todo tesouro instiga a procura. Toda liberdade é felicidade e a flor que dança no vendaval representa minha alma sem saber pra onde ir.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A Extensão do Contrário


Amo a estreita necessidade de saber que sinto tua falta, no entanto, posso suportar o frio que rasga a madrugada das noites do solstício de inverno. O mal é a construção dos que não o fazem ao contrário, e não ousam tentar serem felizes na montagem deste paradoxo. E eu que ouso chegar perto do seu cheiro, mas não me atrevo a beijar-te, sinto apenas o que sou capaz de descrever, o que não posso, é pelo simples fato de não sentir. Portanto, não tente entender os que não se entendem. Siga-os ou abandone-os. Não tente entendê-los.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Decoros e Decotes


Quero a beleza imoral das pernas cruzadas sem a proteção das calcinhas. Dos decotes ousados que se lixam para o decoro. Olho cheio de vontades para o movimento perfeito que o teu quadril executa ao caminhar distraída na direção do improvável. Desejos, desejos e criação. Tudo que aquece as relações humanas, passa pela imaginação.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Entardecer

O pôr do sol que nos brinda com o entardecer, traz consigo a escuridão e a incerteza do amanhã. Todavia, ao levantar-se no dia seguinte, o cenário está posto para as ações inéditas que cabem no palco da vida. Assim, só nos resta escolher o nosso papel neste espetáculo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Quebra-cabeça

Monto um quebra-cabeça e sei que ao completa-lo chego ao fim do jogo e da vida. Coloco e retiro peças... Paro, reflito, acrescento mais uma, tiro outras duas e mesmo certo, continuo em dúvida. Sigo agora para os últimos pedaços e a cada nova jogada me perco um pouco. Sinto os primeiros fios se soltando... Apressado, tenho a impressão rasgada das últimas horas, minutos, segundos... Não, o jogo não vai acabar agora, o quebra-cabeça está incompleto, bem como a minha vida. Existem perguntas que ainda precisam de respostas.


*Créditos da foto: Allana Katiussya.