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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ao Mestre com Carinho

Dizem os poetas: ao mestre com carinho! E eu me pergunto: com que carinho? O do reconhecimento dito em versos escritos no quadro no dia 15 de outubro, quando todo o resto do ano foi uma clara manifestação de indisciplina? Ou o jantar para este profissional alienígena que o professor acabou se tornando? Sim! Alienígena, porque, no entendimento dos que o homenageiam, este parece não ter família, visto que todos os convites se estendem apenas a ele (a). Como se dissessem em P.S. venham só, ou não venham! Deixaremos de ser considerados uma nação de terceiro mundo, quando o profissional de educação tiver seu valor reconhecido, do contrário ficaremos destinando o 15 de outubro para comemorar o dia do professor, o 1ª de maio como dia do trabalhador. Qual é mesmo a data que se comemora o dia da apatia e da permissividade? Hum! Esta é uma comemoração diária realizada pela classe dirigente em homenagem a todos nós. Digo todos, inclusive eu, porque minha insatisfação soa baixa frente à acomodação da maioria.

P. S. Professores, parabéns pelo seu dia. Mas pensem sobre, e assumam seu verdadeiro papel social.


*Na foto o Professor, Filólogo e Filósofo Nietzsche.

domingo, 20 de setembro de 2009

Emancipação Humana

Vejo a aurora que se desdobra no horizonte antes do nascer do sol. E reconheço os bravos que se levantam contra as injustiças que enchem as já corriqueiras notícias de corrupção, aliciamento e manipulação ideológica. E todas as mais sórdidas maneiras de beneficiar-se da ignorância alheia, do povo à margem de uma educação que lhes permita discernir entre o interesse comum e o próprio.
Percebo triste quando a tendência pessoal se sobrepõe as necessidades sociais. Quando o ato da boa escrita se disponibiliza a usar dos bons argumentos para criar fatos. Prefiro na mais sublime das minhas esperanças, alcançar o dia em que o povo seja capaz de entender os acontecimentos globais por sua própria ótica, sem que precise dos arrumados discursos que transformam atrocidades contra a humanidade, em momentos gloriosos da história nacional, regional, estadual, ou, municipal. Por fim, da nossa história. Espero chegar a isto antes do crepúsculo da minha existência.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Livro e a Cachaça, “O Certo e o Errado”

Estou, às sete horas e quarenta minutos desta manhã de domingo, acordado, visto que mesmo tendo despertado às cinco da madrugada só encontrei forças agora para erguer-me. Tenho que ir ao supermercado, por que seria estranho se houvesse o que comer num fim de semana em uma república estudantil. Supermercado! Citando um poeta* contemporâneo: “não é lugar de ser feliz". Não é! Os olhares claramente incomodados pelo simples fato de que meus gostos e traços não se encaixam dentro do padrão.
Confesso! Prefiro, hoje, lugares mais populares. Como mais satisfeito no mercado da feira, que no melhor restaurante da cidade, pelo simples fato de que o primeiro espaço vem acompanhado das verdades cotidianas que fazem parte da vida, e que necessitam de maquiagem para se sentirem a vontade no segundo lugar.
Já não discuto entre o valor das melodias de Mozart e os sons inspirados do mestre Gonzaga, entre a importância de um livro e uma garrafa de cachaça. Por que o livro pode ser mal compreendido, enquanto a cachaça vem sempre acompanhada. Se a companhia for bem escolhida dá conta de uma biblioteca.
Hoje eu escolho brigar pelo que acredito, ao invés de conciliar para simplesmente evitar o atrito. Com isso descubro que não há certo e nem errado. Pois agora é certo para mim e errado para outros, no futuro será certo para todos, ou errado.
Quanto ao supermercado... um garoto de aproximadamente 11 anos foi preso por roubar um pacote de biscoito. Quando a polícia chegou o mesmo gritava – “estou com fome, estou com fome!” Neste mesmo momento em que os policiais saiam do estabelecimento, chegou outro garoto de não mais que 13 anos e estacionou um carro de luxo ao lado da viatura e os soldados nada fizeram. Duas infrações cometidas pelos garotos. Sabe qual a diferença real de uma para a outra? É que o garoto do carro é filho do dono do supermercado.

*Zeca Baleiro.

Créditos da foto: Professor Antônio Claudio Barbosa (Claudinho)

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Cidade

O que é uma cidade se não um emaranhado de ruas que se encontram e se perdem na concretude dos seus espaços? O que forma essas ruas que não sejam casas, uma ao lado das outras, onde fugimos da possibilidade de conhecer o outro? O espaço em que nos protegemos de nós mesmos achando que a proteção é contra o mundo.
As cidades que teoricamente nos aproximam na prática nos segregam, ou, como classes privilegiadas, ou desprivilegiadas, e o que antes era uma mazela dos grandes centros já compõem de certa forma o cotidiano de inúmeras cidades pequenas.
Mas com todas essas controvérsias urbanas existe um lugar que só em saber que faço parte dele já me permite um prazer pouco comum. Existe uma cidade que desce dos morros que a circunda com a graça de uma menina que sai para passear, uma menina de 199 anos dois meses e dois dias de idade é bem verdade, mas com a sutil leveza que só os poucos anos nos permitem. Os morros nos demonstram os contrários visíveis desse espaço, no entanto, tomados de uma áurea sublime que os faz harmoniosos nesse cenário.
Talvez em algum momento alguém sinta a necessidade de perguntar: que cidade é essa? De início direi que é o lugar onde, o saudosismo é a pedra que impede o próximo passo, porém direi em seguida que os que se debruçam sobre projetos para tornarem esse lugar melhor, o fazem pela enorme paixão que essa pequena cidade desperta nos que aqui chegam. Quanto ao nome... Caetité-BA, pelo seu povo, pela suas ruas, por suas paisagens, por seu clima e por si só já vale à pena conhecer, correndo-se o sério risco de querer permanecer por toda a vida.
*Créditos da foto Teobaldo Marinho de Souza Neto

quarta-feira, 27 de maio de 2009

MEAS (Movimento Estudantil do Alto Sertão): Desocupação




Existem momentos na vida que temos a oportunidade de olharmos no espelho, ou, nos olhos de um companheiro de luta, e dizer: é chegada a hora de recuar. Isso é amadurecimento! Tivemos os últimos 73 dias para construir esta consciência, e depois de amadurecida é o momento de torná-la pública.Não me permitirei aqui falar sobre aqueles que ficaram contra, ou em cima do muro, sem saber o que apoiar. A fala de hoje vai em forma de abraço a todos aqueles que desde o início se sensibilizaram com a causa e abriram mão de inúmeros projetos pessoais em prol desta idéia. Mas não só para eles, visto que os louros também devem ser estendidos à população em geral. Como me esquecer daquele senhor que chegou à porta da universidade nos primeiros dias de ocupação com um pacote de macarrão e uma caixa de molho de tomate numa sacola, e disse: “não tenho ninguém estudando aí hoje, mas o futuro é um mistério e se vocês não estivessem aí o futuro seria uma dúvida”.Recebemos apoio dos mais diferentes lugares e das mais diferentes pessoas, tivemos que abrir mão de alguns dogmas, como o de não aceitar o apoio político para as negociações, mudamos de idéia e quando o fizemos fomos abraçados e ajudados no que foi possível pelas representações do poder público municipal da cidade de Caetité - BA, entre eles vereadores, presidente da câmara, vice- prefeita e o próprio prefeito.Se pensarmos no principal objetivo do movimento ele ainda não foi alcançado, mas o caminho está pronto, agora vamos precisar ainda mais de todos os que antes estiveram ao nosso lado. Hoje dia 27 de maio de 2009, depois de 73 dias estamos desocupando a UNEB, mas é bem provável que ela não volte à normalidade visto que desde o mês de fevereiro o Campus VI não recebe as verbas necessárias para o seu funcionamento. É hora de parar e pensar sobre nossas responsabilidades no momento de escolher nossos representantes. Não estou aqui defendendo ninguém até por que não encontrei um só candidato digno de defesa, só estou apelando aos “Cidadãos” que repensem seu papel na sociedade e depois o assuma. *Ressalto publicamente, que continuaremos lutando pelos nossos ideais de uma educação superior que seja pública, gratuita e de qualidade, mas acima de tudo, HONESTA para com aqueles que se dispõem a participar de uma comunidade acadêmica onde as pessoas escolhem construir a sua própria historia sem aceitar de forma passiva o que lhes é imposto. Não podemos esquecer que “o sertanejo é antes de tudo um forte”. Por esta e outras razões, o MEAS continua na luta!!!
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*A conclusão a partir daqui é mérito de Eliana Márcia Carvalho.
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sexta-feira, 22 de maio de 2009

MEAS (Movimento Estudantil do Alto Sertão): Dois Meses de Ocupação


Lá se vão dois meses de uma esperança que insiste em não cessar, de uma esperança que não encontra obstáculos que a mantenha limitada. Todavia, esta não é apenas uma luta travada em prol de ganhos de cunho Material. Não. Trata-se da morte ideológica de muitos dos que participam desta resistência, pois cremos intensamente por toda a nossa vida estudantil, na existência da luta entre classes, e sabemos que mesmo que tentem disfarçar em discursos de igualdade ela acontece e só não percebe quem não reflete sua própria realidade, e tenta absorver realidades alheias na tentativa frustrada de fugir à sua.
Foi deste conflito de classes que nasceu no ABC paulista no início da década de 80 o PT (Partido dos Trabalhadores). Ele que surgiu exatamente dos conflitos entre capitalistas e explorados pelo capitalismo. Agora insiste em agir como um típico partido de direita, fechado aos interesses dos grandes opressores que povoam a história da humanidade, em governos que beneficiam apenas uma pequena minoria privilegiada. Dirão que este é um discurso marxista e obsoleto, mas desde quando a busca por uma emancipação humana está fora de moda? Creio que perdemos algumas referências e isso de certa forma nos enfraqueceu, mas não deveria prejudicar nosso espírito. Quando rompemos com o carlismo no governo da Bahia tínhamos certeza de que não seria fácil consertar tudo, mas restava a convicção de que uma das principais bases democráticas seria respeitada: o dialogo.
Acreditávamos que tendo o governo federal ao nosso lado as coisas aconteceriam de forma mais tranquila. Triste engano. O governo da Bahia realiza concurso público para a policia militar e não para professores, por que acredita que “bater” é mais fácil que educar. Que o povo tem que apoiar o governo pelo medo e não pela consciência, que democracia é: “sim senhor” e não questionamentos, que a busca por explicação é incitação a desordem e tudo isso gerado por aquela anterior falta de dialogo. É crime brigar por uma educação de qualidade? Se for prendam-me e condenem-me a prisão perpétua. Por que eu prefiro viver recluso a ter que acreditar que a educação perdeu o sentido na construção do ser humano.
No dia 16 de maio de 2009 completamos dois meses de ocupação da UNEB nos campus VI (Caetité), XII (Guanambi) e XVII (Bom Jesus da Lapa). Resistimos! Resistimos ancorados naqueles que assim como eu acreditam que não basta passar pela universidade e sair com um canudo embaixo do braço, é preciso refletir e acima de tudo viver aquele espaço. Não basta adentrar o mercado de trabalho e realizar o que todos os outros já fizeram antes, temos que extrapolar os nosso limites, e isso só acontecerá quando tivermos o suporte que só a educação de qualidade nos oferece.
O MEAS não é unanimidade, e provavelmente não existiria se fosse, pode não contar com a maioria por que historicamente estão ocupados demais com seus problemas particulares para se preocuparem com o coletivo. Porém conta com um grupo que apesar de reduzido está consciente de seu papel na sociedade, e eu pessoalmente acredito que um homem consciente e politizado vale mais que uma massa alienada. Por isso eu convido a todos que reflitam sua realidade, pensem no que acham que não está certo e o que pode ser feito para mudar, por que podemos não mudar o mundo, mas mudaremos nossas vidas.

* Depois de 67 dias de ocupação fica ainda mais clara a idéia de que só a educação diferencia os homens dos outros animais, mas uma educação com responsabilidade social. E como sei que não se fazem revoluções sem livros, ofereço-lhes a imagem da minha pequena biblioteca como inspiração.
*Créditos da foto Teobaldo Marinho de Souza Neto

sexta-feira, 27 de março de 2009

Darwin tem razão

Lamento ainda que o moralismo propagado pela alta sociedade e tão arraigado em esferas rasteiras em possibilidades venha a me ocupar o tempo em discussões que não me trarão nada de que eu possa vangloriar-me num futuro próximo. (Um simples vaso transparente de tampa vermelha recheado de salgados para o lanche da tarde)? Qual a valia desta discussão? Aí me deparo com Pessoas que não se manifestam nem para dizer o que pensam (se é que pensam), de um dado assunto, e tratam movimentos sociais como oportunidades para não ter que ir a universidade assistir a quatro ou cinco horas de aula. E se mantêm apáticas a todas as manifestações que envolva a mínima necessidade da defesa de idéias, remetendo-me a clara certeza: Darwin não só tem razão – com a teoria de que evoluímos dos primatas - como também a de ser dito que algumas pessoas continuam agindo como se não tivessem evoluído, e mesmo em ambientes “acadêmicos” e que pelo menos em tese deveria suscitar o debate, falta o essencial – argumentos fundamentados – daí só me resta aconselhar dois caminhos, primeiro e penso que seja o mais importante: leiam para pelo menos ter o que falar, e segundo no caso da ausência de leitura e consequente ausência de argumentos, fiquem calados. (pelo menos a dúvida permanece). No mais ainda decidem agora falar-me de ética e tratos sociais. Como se perambulassem pelas mais finas castas da sociedade mundial. Preciso urgentemente voltar a ser aquele chato e seletivo sujeito de outrora, porque meu estômago não suporta mais tanta popularidade*.

* Convivência com alguns universitários de alcova.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Carnaval



Pensar em carnaval nos remete a inúmeros pontos distintos da história do homem. No entanto pensando momentos distantes no tempo histórico, ou, datas mais recentes, a essência básica do carnaval é a alegria, a comemoração, o desregramento do deus grego Dionísio em negação a razão rígida do também deus grego Apolo. E é nesse ponto, quando falamos de alegria, que se estabelece o meu paradoxo.
Pois mesmo em tempos de “alegrias” carnavalescas o cenário que se percebia em Caetité era o mesmo das cidades fantasmas dos filmes de faroestes americanos, só faltaram as bolas de fenos rolando pelas ruas. Os que fizeram a “opção” (para os mais críticos, me perdoem as aspas, são resquícios do sistema) de permanecer aqui tiveram no sábado e no domingo a oportunidade de se divertirem num “carnaval” organizado por uma pequena parcela do comércio local. Pra variar grande parte do repertório escolhido não poderia ser diferente: arrocha!
Entretanto, prefiro pensar pelo lado positivo, não temos aqui os conflitos que dividem a opinião pública em salvador, por exemplo, quando os foliões dizem que o carnaval tem que se estender por toda a quarta-feira de cinzas, enquanto a Igreja diz que a festa tem que acabar na madrugada de quarta. (já vivemos tantos conflitos, que por horas a mais ou a menos poderíamos evitar esse). Mas para felicidade dos caetiteenses, e da Igreja local o carnaval do parque terminou na madrugada da segunda-feira. O restante dos dias foram de um silêncio assustador, interrompido pelo barulho de alguns “trios elétricos” particulares que cotidianamente circulam pela cidade, tocando adivinhem o que? Acertaram: arrocha!
Só não entendam aqui que eu tenho alguma coisa contra o ritmo intitulado arrocha, pois não tenho, acho até uma dança sensual, guardados os exageros, é que assim como não dá pra tocar música clássica no São João, não dá pra tocar arrocha no carnaval.
25/02/09

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Os Olhos do Coração

O que somos normalmente depende do que tivemos a oportunidade de ver até chegar aqui. Eu realmente acreditava nisso, mas como sustentar essa afirmativa depois de assistir ao filme ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA, dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles baseado na obra do escritor português José Saramago, único escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel de literatura? Estou revendo meus conceitos.
Pense! Se você descobrisse que irá ficar cego no próximo minuto o que desejaria ver pela ultima vez? E se não tivesse a chance de saber antes, o que iria desejar rever se voltasse a enxergar? O filme nos mostra o quanto somos mesquinhos e ambiciosos mesmo quando todas as situações nos são adversas, quando tudo colabora para que o coração humano se torne livre das mazelas cotidianas que o mundo tem nos imposto como normal. O que temos é o já conhecido roteiro arraigado pelo capitalismo em sua essência, do homem sobrepondo o homem, dos interesses pessoais excluindo o coletivo.
O filme é surpreendente! Mas não simplesmente como uma afirmação da genialidade do escritor português, isso é desnecessário. A obra é sensível em toda sua amplidão. Da música à interpretação de cada ator/atriz, do toque característico do diretor brasileiro, a discreta abordagem do racismo dentro da história. O contexto dos fatos escancara o ser humano em todos os seus defeitos, em todos os seus males, mesmo os mais escondidos, mesmo os mais disfarçados, porém nos mostra que ainda é válido acreditar na bondade e honestidade que carregamos mascarada dentro de cada um de nós.
Como não temos essa oportunidade na vida, ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA nos mostrou que vemos sempre o que queremos ver e normalmente não é o mais importante. Como diria Antoine de Saint Exupéry “só se ver bem com os olhos do coração” (Pequeno Príncipe). A verdadeira cegueira é a que cega a alma.