sábado, 11 de setembro de 2010

Sombras III


Os segundos de felicidades são caros, pagos com
Intermináveis minutos de sofrimento. Temo aceitar
Sem maiores questionamentos o pessimismo filosófico
De Schopenhauer e pensar que a vida é um eterno sofrer,
Aliviado por pequenas porções de contentamento dados
Pela arte.

Sombras II

As palavras dançam completamente fora
Do ritmo proposto. Não convencem, não
Dizem. Esvaziadas de sentimentos, perdem
O sentido. Hermética, a companhia vira solidão.

Sombras

Antes do pôr do sol a beleza se manifesta
Em luz pela ultima vez no dia. Depois, nas
Sombras, os olhos buscam outras imagens,
Outros significados. Assim, a solidão disfarçada
Esconde a lágrima na escuridão da noite.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Poucas Vogais

 
Gostaria de perceber o que me cerca.
De saber que não estarei aqui para ter tudo.
E esta certeza me faz melhor.
Poder acordar ao teu lado e dizer-lhe em
Poucas vogais que o rubro só se fez rosa
Para não perder o sentido quando falar
De você. O mais, não precisa ser dito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Luciana


A vida é um grande ponto de interrogação no fim de uma frase. O dia seguinte é a incerteza das possibilidades e o adeus pode não ter tempo de ser dito. Quando amamos temos a obrigação de tornar isso explícito, de transformar uma tarde cinzenta de inverno em um belo dia de primavera.  O bom de saber que somos queridos é poder ouvir e quando não houve oportunidade de dizer, fica um imenso vazio.  As lágrimas manifestam a tristeza, mas não mudam a realidade, pois o medo que tenho da morte é que ela me tire todas as pessoas de quem gosto antes que eu seja capaz de transmitir-lhes a idéia do quanto são importantes pra mim. Dedico este texto a querida amiga Luciana, que nos deixou hoje (11 de agosto de 2010). Por que mesmo sabendo que “o futuro é um mistério” e a morte a única certeza, é impossível não chorar com toda a minha alma a perda de alguém tão especial. Que o marido e os filhos encontrem a força necessária para acreditarem que ela agora está bem, mesmo diante do desejo de que ela não tivesse partido.
P. S. Digo isso em nome de todos os colegas e amigos que formam a família que é a Casa Anísio Teixeira.

sábado, 31 de julho de 2010

Desvelo

O amor condiz à vida, assim, como a tristeza é o desvelo da morte. A imortalidade não tem sentido diante da incapacidade de amar. Torna-se simplesmente o reflexo do triste, como a escuridão de um eclipse sem final.

Dou-te a opção de se perder completamente por amor, ou de viver pela eternidade sem jamais conhecê-lo; E entenderá que só o sentimento dá sentido ao tempo. Só a imagem do que se ama dá cores ao nostálgico. E quando não se ama, busca-se desesperadamente o formato do sabor que te trará este bem. Busco o rosado claro dos lábios entreabertos; desesperado, procuro teu cheiro para não ficar só as zero hora que antecipa o primeiro minuto da madrugada de um domingo qualquer.

Teus cabelos soltos são a bela visão de que os sentimentos podem ter formas, mas teus sorrisos me afirmam que elas não são fixas e nem específicas. Envolvo-te num abraço, como quem desenha um coração a tua volta, e deixo-te a mais serena dúvida de onde realmente estás segura, se dentro deste espaço ou distante dele.

Toda distância pode ser vencida pelo pensamento, mas nem sempre se pode tudo o que se quer. E eu me encontro exatamente onde me perdi: diante dos teus olhos me dizendo que eu não posso avançar nem mais um milímetro, porque tua boca é nociva a permanência da minha eternidade.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O Poeta e a Vida

A fantasia da vida é achar que o dia de amanhã vai ser melhor que hoje. A literatura tem a capacidade de nos fazer refletir sobre o que está além do que os olhos captam com o primeiro olhar. Ela desenha a estrada de tijolos amarelos que nos levam para realidades que só nos são possíveis por lápis e papel. Por linhas mal traçadas que sempre nos elevam em essência. Imagine-se numa completa escuridão em que alguém ascende refletores apontados para os seus olhos. Qual a sensação?
Esta cegueira branca tão comum aos leitores de Saramago é o exato sentimento que tive ao saber de sua morte. Diante desta realidade, comungo do pensamento de Fernando Meireles, diretor da adaptação do livro: Ensaio Sobre a Cegueira para o cinema, “O mundo ficou ainda mais burro e ainda mais cego”. Todo dia quando o sol nascer, o seu brilho estará um pouco mais fosco sem as letras do único escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel de Literatura.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Ultimas Palavras Que Posso Dizer

Perdoe-me por ter sido honesto

Quando deveria ter roubado.

Perdoe-me por ter sido fiel

Quando deveria ter traído.

Perdoe-me por ter sido calmo

Quando deveria ter explodido.

Perdoe-me por ter feito você amar

Quando eu sabia que algumas pessoas

Não nascem para isso.

Perdoe-me pelas horas que não me dediquei,

Mas, acima de tudo, perdoe-me mais pelas

Horas que eu me dediquei, pois, essas foram

As que se tornaram mais vazias.


*Texto escrito em 14/01/2009.

Dúvidas! Quem precisa de certezas?

Quem precisa de certezas quando se tem dúvidas? São as dúvidas que nos empurram para frente. Precisamos nos precipitar para o que é incerto, pois tudo que é certo e garantido os simples normais já vivem. Escreva sua vida com a mesma intensidade com que assiste a um filme de suspense, congele-se, assuste-se, mas viva intensamente. Não teremos a chance de passar esse rascunho a limpo, então escreva a lápis, se tiver vontade de beijar não ligue se estiver nublado, seu beijo pode ser mais molhado que a neblina do inverno. Se permita dentro das variações lingüísticas experimentar outras regras, e faça da gramática normativa apenas um livro velho na estante, pois regras limitam pessoas.
Somos do tamanho de nossas incertezas e tudo o que conseguimos passa pelo que buscamos a partir disso. Não vou permanecer sempre como se soubesse o futuro e mesmo que um dia venha saber, não vou mudar meu jeito em função de meia dúzia de sistemáticos e metódicos seres humanos. O amor é incerto e talvez por isso seja tão fascinante, a única certeza que povoa a vida é a morte, mas, não passamos por ela esperando o fim. Sabemos que as flores vão cair no outono, mas isso não tira a beleza da primavera. A quem considere o sexo o fim de uma conquista, aos poetas é só o começo... O sexo em si não começa no primeiro beijo, esse já é um estágio avançado, a excitação se dá num primeiro momento pelo dialogo, são construções sintagmáticas que nos ouriçam os pelos, que nos fazem suar frio, desordenar completamente o que tínhamos programado como pensamento, e eis que acontece o beijo, por isso ele é um estágio avançado.
E agora o beijo... Que acontece automaticamente por mais elaborado que pareça e se vai pelas caricias, abraços e nos fazem tão úmidos como se fôssemos rios nascentes. Entenda agora porque pontos e vírgulas não podem separar corpos, que reticências não podem ser classificadas como simples suspiros, pensando dessa forma chegaremos a conclusão de que de maneira nenhuma o orgasmo deve ser visto como um ponto final.
Vamos ao âmbito acadêmico, pense na elaboração de uma dissertação de mestrado, em todos os livros que leu para a construção desse texto e que iremos chamar de referencial teórico. Agora abandone o conceito teórico e use no lugar prática. A partir de todo o referencial prático que te tornou uma deusa de Vênus, imagine o sujeito que te faz composto numa frase, ou os seus predicados na composição de uma outra. Transcenda o simples status de humana e permita que sua imaginação tome as rédeas do seu processo criativo, e dentro de todas essas novas possibilidades se permita... Rasgue todos os conceitos de regras e moral e faça da sensualidade romântica um pano de fundo para a sua existência. Ofusque o sol com o seu brilho e quando a chuva cair faça com que pareçam lágrimas diante de sua imagem. E assim, linda é que te entrego a ultima rara flor que o mundo for capaz de revelar.

 
*Texto escrito em 08/08/08.

Conceito de Amor

Não deixe que tuas lágrimas se lancem do alto dos teus olhos só porque o teu coração sofre por amor. Porque ele, o amor, na condição de verbo (amar). É o estado de perfeição em que se encontram algumas poucas almas escolhidas nesse mundo de solidão. O nosso tão nobre sentimento verbalizado no gerúndio, (amando), é dentro da filosofia da vida um instante sublime do espírito, representado por aquele que é um dos, se não, o mais grandioso de todos os sentimentos, de todos os estados, o de estar apaixonado. O sentimento amor é engraçado... Enquanto paixão nos transforma em bobos e nos dá primavera em todas as estações do ano, quando solidão, mostra que os melhores momentos de nossas vidas foram os que dividimos com alguém. O amor é histórico, porque mesmo quando está fora de moda alguém sempre fala nele, nem que seja apenas como critica, foi ele que para os leitores da primeira obra do poeta alemão Goethe (1774). “Os Sofrimento do Jovem Werter”, justificaram os vários suicídios dos jovens daquela época. Para esse sentimento não existe meio termo justo, ou se ama, ou não se viveu. Não me diga que gosta. Ou que ama, mas prefere não se entregar. Ou amamos e perecemos buscando a felicidade ou morremos sem saber o que foi a vida, pelo simples fato de que a vida não tem sentido sem sentimento, sem amor. É verdade! Os poetas são inconstantes, e de todos eles houve um que cunhou uma frase que é de certa forma a maldição de todos os poetas. Shakespeare disse em certo momento: “Menos ama quem mais fala de amor”. Não que eu não ame, é que consigo me refugiar no que escrevo e assim sofro menos. Quem dera se todos pudessem refugiar-se em seus textos. Quem dera a condição de poeta fosse de todos. Mas, não! Essa maldição recai sobre uns poucos que fazem de suas doces palavras o alento do que realmente sentem. Amar! Se vir inteiramente submisso a outra pessoa e mesmo assim estar feliz. Em que outra situação alguém se submeteria a isso de livre e espontânea vontade? É! Às vezes fico perguntando qual a sensação... Mas, no fundo eu não quero saber a resposta. Gosto da minha condição, gosto de ter tudo sem pertencer a ninguém. E talvez esse seja o segredo, somos vulneráveis quando gostamos e fortes quando ignoramos, você não acha? Se não experimentou a hora é agora. Sabe qual o maior inimigo desse sentimento? Além da passividade, é sem sombra de duvidas o medo... Medo! “será que isso que estou fazendo é certo”? “E se alguém souber”? Não existe certo ou errado quando o assunto é amor. E essa é uma de suas vantagens, por ele se configurar em todos os aspectos e não só no campo sentimental, o amor é perfeito por perpassar o mundo das idéias como defendia Platão, o amor é acima de tudo... Corpo! Quentes, suados, enlouquecidos de tesão, porque se o amor pode se expressar visivelmente é através do tesão, são os pelos de todo o corpo arrepiados só de ver o objeto de seu desejo a alguns centímetros e não poder tocá-lo. Mas, ultrapassando todos esses campos que vão desde a literatura, onde, o amor justifica guerras, passeando suave já pelas melodias mais sublimes compostas em sua homenagem, até as trovas mais solitárias daqueles que caminhavam pelas madrugadas propagando o “Carpe Diem”. E eis que chego ao objetivo traçado desde a primeira frase. Aproveite o dia! Estamos sempre pedindo para que ele não seja o ultimo, para termos sempre a oportunidade de um algo a mais, mas, se for, e se realmente existir outra vida, pense no sofrimento que será a eternidade povoada dos lamentos: “Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer” (Titãs). Não se culpe nunca por ter deixado algo para trás, culpe-se apenas pelos excessos... Como diria umas das almas mais iluminadas da poesia alemã e mundial: “O que sei todos podem saber, meu coração, porém, só a mim pertence”. (Goethe, 1774). Afinal, o seu amor não nasce no outro, ele é inerente a você.

*Texto escrito em 14/03/2008.

domingo, 4 de abril de 2010

Revolução

O mundo que conhecemos, é como grande parte de tudo, uma estrutura bem organizada de verdades num processo ideológico que foi criado durante a revolução francesa e que o tempo só fez aprimorar. Liberdade, igualdade e fraternidade são lemas de todos os que querem chegar ao poder. Mas, não somos iguais. A liberdade não existe, e a fraternidade é fruto de uma utopia que nunca passou por esse mundo.

Vivemos num mundo em que estar num carro é mais importante do que ter caráter. Ter meia dúzia de belas acompanhantes e dinheiro para bancá-las, é mais digno do que sustentar uma família com honestidade. Somos fruto de uma sociedade em que ser honesto se tornou motivo de vergonha. Estamos tão presos a todo esse sistema, que passamos a acreditar que já não somos capazes de nada, só porque os nossos antecessores falharam.

Não precisamos pegar em armas para começar uma revolução, nem para manter o que já conseguimos. Pelo contrário, se fossem só armas os Estados Unidos da América não deveriam se preocupar com nada já que detém as maiores tecnologias nesse campo, no entanto, é uma das nações mais preocupadas com o perigo de guerra iminente contra vários inimigos em potencial. Devemos começar a acreditar que as grandes revoluções são feitas de grandes idéias. Que as armas matam, mas as idéias modificam as pessoas. É triste às vezes constatar que todas as nossas esperanças foram de certa forma atiradas no lixo, quando escolhemos um partido de esquerda na tentativa de mudanças, e aí temos a certeza de que toda esquerda só permanece enquanto não chega ao poder, já que todo poder corrompe.

Qual a prioridade do discurso da esquerda? É! Sorria, você acertou! São as classes menos favorecidas. Mas, por que a seca no nordeste não acaba, já que existe desde a época do império um projeto de irrigação para essa região? Simples, com o que fariam política se acabassem com essa mina, com essa “indústria da seca”? O fato não é que nossas respostas estejam erradas. Na verdade são nossas perguntas que não estão suprindo a necessidade do que almejamos. Somos tão reféns do conjunto estabelecido pelo sistema que mesmo lugares tidos como democráticos e formadores de mentes críticas, como é o caso das universidades, sofrem com a corrupção. È triste notar como mesmo num simples processo de escolha por “sorteio” para fiscal de aplicação de prova, o nepotismo nos estapeia com sua suave luva, e veste a máscara da razão como se fosse ele o detentor da mesma.

A democracia tomou forma e hoje atende pelo nome de capital. Os sonhos se tornaram utopias porque ninguém está disposto a lutar, a não ser que seja por interesse próprio. O que fizeram das teorias marxistas, ou dos ideais franceses? Eram só panos de fundo para se chegar ao poder. Pronto, conseguimos! Quanto ao povo, ele não muda por que não se organiza, e também não precisamos nos preocupar, até porque ele tem memória curta, curtíssima!

Impuseram-nos a idéia de que somos apenas o país do futebol e do carnaval. Onde as redes internacionais de prostituição têm suas vitrines para o aliciamento de mulheres a serem escravizadas no mercado negro internacional do tráfico sexual. E consideram que é o bastante para uma nação de terceiro mundo, que mesmo quando atinge auto-suficiência na produção de seu petróleo, não pode determinar a que preço vai vender por estar atrelada há acordos internacionais, que fixam o preço do mesmo. Devemos lembrar que somos compatriotas de homens que não se renderam a nenhum sistema: Antônio Conselheiro, Virgulino Cangaceiro e tantos outros. Somos tão brasileiros quanto aqueles que durante a ditadura militar foram exilados por não deixarem de pensar.

E é só o que precisamos aprender: a pensar! Pensar criticamente, de forma independente, saber que o conhecimento nos traz poder, e quando tivermos revolucionado nossa visão de mundo, teremos dado o primeiro passo para uma verdadeira revolução. "Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você." (Sartre). Nenhuma mudança é possível sem educação.



*Texto escrito em 19/02/08.
**Créditos da imagem: http://editoraplus.org/wp-content/uploads/2009/05/download165x165.jpg

Renascença


A saudade sobrevive amparada na certeza do abraço futuro.
O amor ver na flor o reflexo de sua imagem,
E crer na vida ignorando sua condição de miragem.
A dor se apodera da alma porque a vida é um eterno sofrer,
Mesmo quando a tristeza se despede em lágrimas e se vai sem que possamos ver.
Mas, antes que cesse no céu toda a escuridão, vem o sol sorrindo, trazendo nos braços o perdão.
E no novo dia... Novas possibilidades, novas alegrias...
Porém, o mesmo coração.

*Texto escrito em 14/01/08.
**Créditos da imagem: http://npossibilidades.blog.br/w/wp-content/uploads/2009/09/futuro.jpg

Perfumes 2

A ruiva cor do sereno cabelo
E o cheiro exato descrito da flor,
Suplantam o movimento inodoro das águas
E suave o vestido desliza na
Pele do corpo ainda fresco de dor.
Verde! Os olhos se perdem no infinito sem cor.
Cheiro... O perfume perfeito é feito de amor
E se mistura na inconstância de vários amores
E quando as janelas se fecham,
Abrem-se as portas e a imagem se compara
Ao paraíso.
A rosa branca na mão...
É o símbolo da castidade ainda mantida...
Virgem...! Mas, pureza que não garante a vida.



*Texto escrito em 04/01/08.
**Créditos da imagem: http://www.netinho.com.br/blog/uploaded_images/perfume2-758165.jpg


Perfumes

Existem perfumes e perfumes... E todo perfume cheira a mulher, e toda beleza se reflete na imagem do que Deus criou e chamou feminino.
Não existe amor a primeira vista, mas temos o direito de nos apaixonar por cheiros... Temos o dever de nos encantar através dos olhos, ou de amar intensamente pelo gosto.
De sentir tesão pelo toque e de gozar com o pensamento... Mas nada substitui a sensação de envolver-te em meus braços e desfrutar de todos esses momentos de uma só vez. De me embriagar de teu cheiro, ver-te bela e sentir-lhe em cada novo beijo, por fim... Diante dos toques, um suspiro... E... Fim.

*Texto Escrito em 28/12/07.
**Créditos da imagem: http://lh4.ggpht.com/luizcaloz/SAZ9e-NOhZI/AAAAAAAABAs/cW2x0q2Y478/s400/ATgAAACv_8QO0wocBbHPonmel%2520no%2520corpo.jpg

sábado, 3 de abril de 2010

Perguntas

Com que roupa eu vou à festa do ultimo dia do ano?
O que comer hoje? Amanhã será um novo ano.
Será que os amores serão tão intensos, ou superficiais como essa neblina em minhas mãos?
Em que parte do mundo o ano começa primeiro e onde por ultimo?
O que vai durar mais este ano, o amor conquistado ou a nova amizade adquirida?
O que vai ser escrito: poemas, poesias, crônicas ou ensaios?
Quais serão as cores?
Quando vivemos com intensidade nos damos conta de que as perguntas são sempre mais importantes do que as respostas... Que amar é sempre mais necessário que viver, e se tiver que escolher não escolha viver sem amor... Morra! E terá amado o suficiente para um fim digno.

*Texto escrito em 28/12/07.
**Créditos da imagem: http://zonahhtuga.com/wp-content/uploads/2009/07/perguntas_frequentes.gif

sexta-feira, 2 de abril de 2010

A Festa das Lembranças

Lembrar! Verbo que nos lembra de não esquecer,
de não esquecer que os ciclos acabam, mas não findam.
Acabam, porque na vida tudo tem fim, mas por isso mesmo
existem as lembranças, que tornam tudo eterno.
São as lembranças que trazem décadas ao presente,
são elas que fazem do tempo simples detalhes, que passam, mas, não são esquecidos.
Vou seguir, mas também vou ficar, da mesma forma que você vai ficar, mas, também vai seguir comigo. Tudo o que temos em vida são vestígios das pessoas importantes que passaram por ela e levaram ou deixaram alguma coisa.

*Texto escrito em 18/12/07.
**Créditos da imagem: http://www.borkenhagen.net/imagens/arquivomorto/saudade3.gif

Aquecimento Global


Desfaz-se no tempo
o que antes eram tempos de flores.
O que outrora aos amores servia
inspiração, hoje derrete no já aquecido
Coração.
Reflete na pele o que o homem buscou
como mudança e já não é capaz de administrar.
Fugiu ao seu controle, como a capacidade de amar.
Fugiu,
fugiu,
fugiu...
E
agora chegou ao fim.
Caíram os frutos,
secaram as flores, morreu o capim.

*Texto escrito em 12/11/07
**Créditos da imagem: http://www.corneliodigital.com/imagens/mundo/aquecimento_global.jpg

domingo, 21 de março de 2010

Vontades


Temo!
Temo que teu sorriso seja a minha ultima razão.
E que a brisa nefasta que corre pela madrugada
traga-me ao peito a dor do sono eterno...
... O céu agora está pálido, sem graça... E mesmo
com todas as estrelas que brilham em seu espaço,
falta alguma coisa: Falta vontade... Falta vontade
mesmo Schopenhauer achando que a vontade é nociva
à vida... Falta vontade, e talvez por isso falte vida...
Por que segundo Nietzsche, a vontade é essencial para
o querer viver... E toda vontade de potência é o motor
propulsor do espírito humano aos seus objetivos... E só o
medo e a preguiça os impedem de chegar ao fim...!
*Texto escrito em 03/11/07.
**Créditos da imagem:https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgZ3Nog6eFy_TBSlnFMRQ1t4v4o8hs3Ibs2hpcKy2UXjSU0JkMKl2FkfkoDTPyIFZG_T_1nGWe0GQltmSADHpMToOnFkzJqL0ANCFry5oQ5Dzv_wparbQmuYsSvM6uTpZzbjHTJWBnECm_x/s400/ampulheta%5B1%5D.JPG

Amor

De todas as palavras que cabem nas densas páginas do dicionário da vida. Amor! É como um tiro no escuro.
Como sonhos em alta velocidade chocando-se contra o muro...
É o negro correndo na contramão de sua história e contra todos os determinantes de sua jornada.
O amor é como o antídoto quando o veneno já causou a morte, e só restam os olhos para serem fechados.
No entanto, amar é inerente a humanidade... É simples como quem respira, e dói como quando nos machucamos... Por que, ele mesmo o amor, é dor, devaneio, tristeza e solidão...
Mas, como todos os abismos da vida, nos basta apenas esticar as pernas e passar por mais esse... Assim é o amor, eterno ou passageiro... É sempre o amor...! É sempre marcante...!

*Texto escrito em 03/11/07.
**Créditos da imagem: http://belusficwriter.files.wordpress.com/2008/09/fenix-08.jpg

A Esquinas e o Fim da Rua


Viver é a incerteza do amanhã...
E a morte a única certeza que
o dia de hoje nos garante...
Dobro a esquina e meus pensamentos vão longe...
Longos passos a minha frente.
Passos tão distantes que quase nem os vejo.
Dobro outra esquina.
Só que agora à direita.
E minha vida brilha no fim da rua.

*Texto escrito em 23/10/07.
**Créditos da imagem: http://mywordpress2.files.wordpress.com/2006/08/path-aguarela400.jpg

Abstração


Se todos fossem como um só,
Seriamos todos iguais. Mas,
A igualdade nos faz diferentes.
Por quê?
Mesmo no espelho... Não somos nós,
Apenas um reflexo.
Assim como o sol esconde-se na concretude do muro
O amor se desfaz na abstrata solidão.

*Texto escrito em 09/10/07.

A Aurora Rosa


A serenidade é o que está antes da morte.
Depois dela é tudo escuridão, silêncio... Solidão.
Talvez eu não seja um fim...
Assim como o nascer do sol não é o começo...
Antes surge rosa a aurora no céu.
Sou livre dentro do espaço que cabem meus sonhos.
Sou seu, mas livre.
Livre! E não seu!


*Texto escrito em 02/10/07
**Créditos da foto: http://populo.weblog.com.pt/arquivo/aurora_boreal_1.jpg

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulher

A rosa, é em essência a flor que remete-nos a idéia de amor. E é quase impossível passar pelo dia 08 de março de qualquer ano que seja sem falar deste sentimento, que é tão bem representado pela figura feminina. Rompendo então com a visão cristã da gênese da mulher, prefiro acreditar que ela foi concebida a partir de um excesso de genialidade da força da natureza, e que diante de tamanha e única perfeição ela, a natureza, deu ao homem o simples dever de contemplá-la. Obrigação que realizamos com sorrisos nos lábios e olhos cheios de contentamento.


P. S. Feliz dia internacional da mulher a todas vocês que fazem de nossas vidas um mar de rosas.

domingo, 7 de março de 2010

Presente

Olhe o sentido, distorça a forma. Transforme lágrimas em riso. Permaneça parado... Correndo em torno do globo. Abandone seu corpo. Você tem o mundo para correr E seu pensamento te levará onde quiser. Os caminhos surgirão sem as pegadas dos teus pés, mas com o rastro do que pensou.
Na velocidade do processo, esquecendo as possibilidades, abandonando o retrocesso, largado em queda livre num abismo sem fim. Caindo, pensando, sem direito à volta, já sem pensar, já sem viver e sem poder parar. O pensamento já não tem controle e o que havia de controle já não pode ser controlado. Não posso voltar... Só seguir! O pensamento não mais existe. Agora só a esperança é parte da solidão, da resistência, da contramão.

 
 
*Texto escrito em 01/10/07.
**Imagem: http://fotos.sapo.pt/blm9VeW0SknFQVzjMBhg/s340x255

Eclipse

Surgem na aurora as primeiras nuvens que te cobrem.
Desapareça na imensa linha onde o céu se junta a terra.
Volta! Volta! Não precisa esperar pela manhã. Volta agora!
E batiza a noite com a sensação de um orgasmo ocular.
Inverte o papel do eclipse e faz desta noite de extrema escuridão... Dia! Brilhe agora e suma! Esconda-se por trás da lua, e faça dela cheia. Torne possível a impossibilidade desse amor. E agora volte ao azul celeste de seus dias e esqueça por mais alguns anos tua amada lua. Que esta... Minguante, chora tua ausência e passeia invisível nas manhãs para te ver ao longe e saber que ainda a amas.


* Texto escrito em 01/10/07.

sábado, 6 de março de 2010

Sentidos

Passe por mim e tire-me os olhos,
Por que te ver machuca
Mais do que não enxergar.
Passe por mim e me roube a memória,
Pois só o passado te traz pra mim.
Passe, e me arranque à vida.
O que eu tinha de sentido
Você me tirou.




quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Adeus

São as risonhas estrelas que te fazem bela aos meus olhos. São os ventos do norte que te despem de todo capricho e te revelam linda diante de mim. E é assim que eu permaneço: sem ação! Preso aos elos de uma só corrente: Eu, meu medo, companheiro inseparável, e todo o prazer que é contemplar-te linda depois que caem todas as outras peças... E quem sabe eu te conte histórias de como foi bom te conquistar da forma que foi. Vou te guardar comigo mesmo quando não houver mais nada em mim... Mesmo quando eu for apenas uma boa lembrança para os que se lembrarem de mim... E se algum dia não houver tempo... Adeus. Adeus porque a vida é um mar de incertezas e eu já não quero mais viver... Então... Adeus!


*Texto escrito em 07/09/07.

**Foto: Teobaldo Neto.