terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Medo

O estado de luto da alma é a impotência causada pelo medo.
E vão-se os dias, os anos, a vida.
Mas o medo permanece!
Lembrando-nos do que deixamos de conquistar pela simples presença dele...
Que mesmo depois da derrota... Rindo,
Continua ali, fiel... Como um refresco à memória.
*Texto escrito em 25/07/07.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Anjo

Hoje se eu fosse uma ave não poderia voar.
Pois um anjo celeste em sua nuvem do alto a
observar apontou e disse: Não nascerás Humano!
E se nasceres, não sonhará!
- Teimoso! Viverás triste e o medo te acompanhará
em todas as tuas decisões.
- Mas o que tem minha condição de mortal,
se não tive condições de escolher?
Pois só me foi dada à oportunidade de viver?
- Abdica então de tua vida e busca na reencarnação
a possibilidade de absorção desse pecado.
- Mas, não pequei... Só nasci humano!
- E queres maior mal? Tua condição é o escárniodo
planeta e agora mesmo que morras, tua alma
não será salva... A nostalgia fará parte de todos
os seus dias e quando esta se ausentar, decepções
estonteantes colocar-te-ão no chão e sem forças
sentirá no arrependimento, a dor que tua raça me
causou...
- O que a humanidade te fez, para que derrames
sobre ela tamanho ódio?
- A humanidade? Nada! Uma única humana fez
todo esse estrago. Em meu coração corria toda a
felicidade que as flores precisam para brotarem
na primavera... Fluía toda paixão que os namorados
buscam no cair das folhas do outono... Entre os meus
braços havia todo aconchego que uma alma procura no
inverno. E todo o frescor que uma mortal pode
querer num solstício de verão... E, no entanto, ela
trocou-me por um homem... Um simples homem!
Tão mortal e frágil quanto ela...
- E o que aconteceu?
- Ela, petrificou junto com meus sentimentos. E desde
Então minha eternidade é dedicada a conduzir ao
meu bel prazer o destino dos frutos desse amor.
*Texto escrito em 21/07/07.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Alma Falante

Toda solidão é a chance que a alma tem de dizer o que está sentindo, e os espíritos abençoam umas poucas pessoas que transformam estes sentimentos em palavras... Versos... Poesias.


*Texto escrito em 10/07/07.

Solidão

Ver só é gratificante quando diante dos meus olhos está você.
Sua ausência é como o escuro de mãos dadas com a solidão.
É viver sem uma parte do corpo...
É estar sem alma...
*Texto escrito em 07/07/07.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Toda Noite

E se meus pensamentos fossem como a brisa que na noite invade teu quarto em busca de uma imagem que teimas em esconder...?
E se minha vontade fosse em forma de pássaro te beijar assim que o dia amanhecesse...?
Seria minha tua alma, ou ainda teria que me desdobrar em versos para explicar o que meu coração só consegue dizer pulsando...?
Estou agora, calmo; por que diante de meus olhos paira tranqüila a imagem de uma linda mulher...
Que no ápice de sua sensualidade me faz refém todas às noites de sua beleza... E eu como um viciado... Retorno os dias seguidos em busca dessa forma de beleza para raiar meu dia um pouco mais feliz... Hoje, melhor que ontem e amanhã, melhor que hoje.
*Texto escrito em 04/07/07

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Bela Vida

O que há de belo na vida...
Transparece no sexo,
Que ultrapassa o limite do corpo
E encontra na alma a expressão máxima do amor...
Representada num simples suspiro de vida.

*Sem medo, vergonha, temor por amar desse jeito...
Corpo, carne, batida pulsante, perigosa e gostosa como
A brisa leve que vem do mar...
Como a descida em uma montanha russa...
Instante nos fazem sentir VIDA!

*Carla
*Texto escrito em 29/06/07.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Lua

E se toda poesia
For só um beijo?
E as palavras um amontoado
De cristais disformes,
Arrumados tão claros como a lua!
Você dirá: é só um beijo.
E eu sorrindo te digo:
Minha alma agora transcende
O que o mundo conhece como real.
E eu descanso no teu riso,
Pela paz que ele me traz.
*Texto escrito em 19/06/07.

O Que É?

Por que o amor é algo tão buscado,
Se quanto mais se procura,
ele mantém-se afastado?
Não encontro o amor refletido no que os outros vêem.
Nem o vejo em olhos alheios.
Encontro-me quando amo...
E só amando é que sou de verdade.
Qual a perfeita resposta para a pergunta, o que é o amor?
Sinto-me hoje como reflexo do que já nem posso ver...
Mas, se me perguntar se amo...?
Sim! Amar é parte do meu viver.
*Texto escrito em 17/06/07.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sexo

Sim! Vai ser sempre assim, chegar, me despir em palavras e fugir? Haverá sempre estes corpos suados, separados por linhas e telas? Poemas não escritos, como gemidos suprimidos no calor do ato? Esse seu hálito quente, a encontrar de fato meu corpo já ardente, o seu ainda distante, todavia, presente num movimento contínuo que já não sei... Se vou, ou se louca, é você quem vem, numa dança de corpos nus, onde a realidade é abandonada, e a gravidade dispensada já sem explicar, onde termina o meu corpo, e onde, o seu a mim não pertence... Me acorde! Se esta gota de suor não for real, ou se suas pernas envoltas nas minhas, escondendo discretamente meu... Línguas a passear onde os limites são meras formalidades. Sinto agora em minha boca a leve sensação dos teus mamilos ouriçados. Arranhe-me quando chegar ao fim. Por que ele mesmo, o fim, é só a possibilidade de um novo começo, onde o prazer é um ciclo infinito e o orgasmo a chance de recomeçar.
*Texto escrito em 15/06/07

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Antes do Fim

Não é o passado que me assusta, mas a brisa que corta o presente e segue enfrente... Não é o incolor que me deixa desesperado, mas o marrom nostálgico no alto da colina. Eu te amo e sinto como se não tivéssemos tempo... O outono tem sempre folhas cinzas e a vida tem novo valor quando é ameaçada de um final. É... Eu amo você! E mesmo amanhã... Eu amo você... E se a vida terminar as onze dessa mesma noite e o amanhã não me contemplar... Eu amo você como quem canta uma canção que resume a vida em um beijo e o meu amor em uma poesia. Vivemos tão certos de que o dia seguinte é uma questão de horas que passamos estas esperando para dizer algo no próximo dia... A única certeza que assola a humanidade é de que a vida é finita e todos os capítulos que ainda faltam podem representar uma última cena. Ame sempre com a fé de que não haverá outra chance, por que se houver... Ame mais um pouco, antes que o dia termine.
*Texto escrito em 24/05/07.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O Eco

O eco do silêncio repete-se pelo espaço... Silêncio, silêncio, silêncio. Meu coração branda de dor encolhido no único lugar que lhe parece seguro. Triste engano! Está vulnerável hoje mais que ontem, e amanhã, estara mais que hoje. Pois está amando e o amor cresce aos dias.
* Texto escrito em 23/05/07.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Ao Mestre com Carinho

Dizem os poetas: ao mestre com carinho! E eu me pergunto: com que carinho? O do reconhecimento dito em versos escritos no quadro no dia 15 de outubro, quando todo o resto do ano foi uma clara manifestação de indisciplina? Ou o jantar para este profissional alienígena que o professor acabou se tornando? Sim! Alienígena, porque, no entendimento dos que o homenageiam, este parece não ter família, visto que todos os convites se estendem apenas a ele (a). Como se dissessem em P.S. venham só, ou não venham! Deixaremos de ser considerados uma nação de terceiro mundo, quando o profissional de educação tiver seu valor reconhecido, do contrário ficaremos destinando o 15 de outubro para comemorar o dia do professor, o 1ª de maio como dia do trabalhador. Qual é mesmo a data que se comemora o dia da apatia e da permissividade? Hum! Esta é uma comemoração diária realizada pela classe dirigente em homenagem a todos nós. Digo todos, inclusive eu, porque minha insatisfação soa baixa frente à acomodação da maioria.

P. S. Professores, parabéns pelo seu dia. Mas pensem sobre, e assumam seu verdadeiro papel social.


*Na foto o Professor, Filólogo e Filósofo Nietzsche.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Ná... Nada D Ma.


Flor! Que bela se abre... singela.
Recai sublime dormente
Sobre meu ombro na busca de novos aromas.
Não sabes bela flor?
Tua beleza exala visível como neblina,
Faz-se mulher, és ainda menina...
Que pensas que busco em tua companhia?
Além desse riso despretensioso
Que faz das noites perfeitos esboços
Que na vida chamo perfeição.
*Texto escrito em 10/05/07.

Indecisão


Todo o mal se resume
A insensatez de estar tão longe.
De viver como se o tempo estivesse
Ao nosso dispor, e rimos, pois, não está.
Seguimos sempre sem saber se o caminho
É o certo, ou se continuamos errando.
Se seguimos, Ou tentamos voltar e conserta tudo.
Já não creio que haja tempo, mas, temos que tentar.
Pela insana teimosia que nos une.
Pelas cartas escritas, pelos poemas declamados.
E o que há de imperfeito?
Se só for uma carta, será a primeira.
E o tempo te trará mais que cartas.
Bem mais que poesias. Vida...
Viva!!!
*Texto escrito em 01/05/07.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Datas


Ando agora por um caminho que não posso enxergar.
Você me tomou o rumo e tudo perdeu o sentido.
Caminho agora.
Estou acompanhado, mas me sinto só.
Ao lado, consigo ver pessoas e não consigo parar.
Ouço alguns gritos, mas os meus sufocam...
Não posso falar.
Caminho ao seu lado e teu espelho não te permite ver.
O meu coração agora sangra
Por que como quem anda,
Ele ama!
E quem fala de amor,
Ele vive!
E para quem
Representa dor, ele sofre!
Pois, domingo é dia,
08 data, outubro mês, 2006 ano...
No fim de tudo.
São datas,
Uma sobre o dia em que te conheci,
Outra a que te perdi.
Datas! como cicatrizes escritas em versos.
Que de tantos... poemas.
A estrada acabou!
A escuridão não me permite mais passos.
Espero o brilho do seu sol
Para proporcionar-me mais um dia...
Mesmo que seja o último.


*Texto escrito em 10/04/07.

Vazio


O que há de belo ao fim de cada tarde,
É representado pelo crepúsculo do sol
Ao atingir o horizonte. E na linha amarela
Desse limite, surge um dourado que ofusca
O fim da tarde. Por trás de toda esta luminosidade...
Sua beleza, redundantemente linda!
Pois, é para mim
O nascer do dia em cada pôr do sol.

*Texto escrito em: 10/04/07.

Lápis


Só os ventos têm a necessidade
De passar.
Os momentos são eternos.
E mesmo
Que escritos a lápis, não se apagam
Beijos, carinhos e nem declarações
De quando a verdade se revela em palavras.
*Texto escrito em: 08/04/07

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Poesia por Poesia

Poesia!
Tristeza escrita a lápis.
Felicidade rabiscada
Em rochas.
Poesia!
Por onde andas tu
Que outrora passeava
Nos campos de minha
Imaginação?
Em companhia de teus
Filhos versos e de tua
Alma gêmea, poema.
Por onde andas poesia?
Tu que és os olhos dos
Que não vêem. Mas
Escutam-te.
Tu que é dos tristes que
Não falam... A voz.
Daqueles que têm a
Certeza de que não amam,
Tu és a dúvida.
E os que amam, tu poesia...
É o próprio amor!


*Texto escrito em 08/04/07.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Imperfeição

O retrato de toda poesia
É a imperfeição que habita
Teu corpo.
Por que beleza é toda perfeição
Que não pode ser vista.



*Texto escrito em 06/04/07.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Borboletas

Você é linda! Mas olhe minha face.
Sim! Eu sei. Você é linda, mas, olhe.
Minha face está em prantos e sua
Beleza não pode fazer muito por mim.

Sozinho segue pelos caminhos que as
Lágrimas marcam como pegadas,
Onde a beleza não reflete nos olhos
De quem a ver.

E de linda a beleza se faz bela e da tela
O pensamento se perde ao vento, e o rumo
Fica sem sentido.

Assim o belo sente-se feio. E o feio ofendido.
A poesia perde a rima e o que resta brinca na
Face já sem dor. E afinal eu, quem sou?
*Texto escrito em 06/04/07.

Devir

Meu corpo caminha agora sem alma
E o vazio torna-o incontrolável.
Minha calma é o sinal: Desisto!
*Texto escrito em 03/04/07.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Deuses Poetas

Seja para mim a simplicidade escrita a lápis, por que a eternidade torna as coisas fúteis, sem valor. Se expresse de forma rara, como a flor que nasce no deserto. Pois, a que cresce no jardim, é apenas mais uma flor. Ame e encontrará na minha imperfeição as virtudes que fazem dos Deuses perfeitos, e dos poetas, Deuses.
*Texto escrito em: 03/04/2007.

domingo, 20 de setembro de 2009

Emancipação Humana

Vejo a aurora que se desdobra no horizonte antes do nascer do sol. E reconheço os bravos que se levantam contra as injustiças que enchem as já corriqueiras notícias de corrupção, aliciamento e manipulação ideológica. E todas as mais sórdidas maneiras de beneficiar-se da ignorância alheia, do povo à margem de uma educação que lhes permita discernir entre o interesse comum e o próprio.
Percebo triste quando a tendência pessoal se sobrepõe as necessidades sociais. Quando o ato da boa escrita se disponibiliza a usar dos bons argumentos para criar fatos. Prefiro na mais sublime das minhas esperanças, alcançar o dia em que o povo seja capaz de entender os acontecimentos globais por sua própria ótica, sem que precise dos arrumados discursos que transformam atrocidades contra a humanidade, em momentos gloriosos da história nacional, regional, estadual, ou, municipal. Por fim, da nossa história. Espero chegar a isto antes do crepúsculo da minha existência.

sábado, 19 de setembro de 2009

Tempo

Mas afinal de contas o que é o tempo? E por favor, não me venha com nenhum conceito de dicionário embaixo do braço que esse eu não aceito. Em uma oportunidade bem interessante eu perguntei quanto tempo dura um mês? E ainda bem que fiz essa pergunta para mim mesmo, por que sempre tem um engraçadinho para dizer: “São trinta dias”.Quando penso nesse assunto, ao contrário de grande parte das pessoas a ultima coisa que me vem à cabeça é um ponteiro, dando voltas em torno de um circulo que determina os minutos de cada vida... uma que começa... outra que termina. Em verdade o que busco neste espaço são as relações construídas nele, são as várias possibilidades que este senhor de toda a vida nos permite ou não.Tempo! Uma seqüência inenarrável de acontecimentos em que estranhos passam a fazer parte de sua vida, e com o tempo tornam-se sua vida. Onde a intimidade são só simples e automáticos passos à frente. E que com o passar dele mesmo, o tempo, vocês abandonam essa condição de dois, e tornam-se um. Com duas cabeças, dois corações, mas um pensamento: O de ficarem juntos.Mas, talvez tenhamos nos distraído, porém eu lembro, e falamos nas impossibilidades, e dentro destas está o fato de que por mais que sejamos um, somos diferentes. Amamos, mas somos imperfeitos. E mesmo de mãos dadas corremos o risco de nos perdermos. E é exatamente onde nos encontramos de frente do velho baú da vida, onde guardamos toda essa seqüência de acontecimentos ao qual damos o nome de experiências. Então conversamos. Tomamos cada um, posse de sua individualidade e chegamos à triste conclusão de que mesmo as coisas que duram para sempre, se perdem na inconstância do tempo. E só os momentos são eternos. Por que mesmo que seus donos se percam por alguma faceta do tempo... Eles ainda sobreviveram pela eternidade.

Tristeza! Tristeza! Tristeza... Beleza estranha. Estranheza.


*Texto escrito em 02/04/07

A Próxima Queda

Para que eu haveria de querer poesia?
Se as lágrimas já não me servem de guia.
E o que de belo havia hoje reflete sem brilho
O que minha vida tem de monotonia.
As febres que nunca atingem altos graus
As dores que não me matam, apenas me deixam mal.
Vou seguir, porém adianto... não tentarei levantar na próxima queda.

* Texto escrito em 01/04/07

O Sentido do Caminho é a "Verdade"

O segredo é a verdade. E mesmo que a verdade seja um segredo inalcançável, o caminho em sua procura é o sentido. Pois, a força não está na vitória, e sim na luta. No enfrentamento do desconhecido. Por que caminhar com as luzes acesas é sempre possível. No entanto, a escuridão é que nos dá a dimensão exata de onde podemos chegar quando o dia amanhecer.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09/09/09

A inconstância do tempo é o paradoxo diante do equilíbrio que a simetria dos números oferecem. Quem viverá mais um século, para reviver este momento? O nove representa o infinito de possibilidades que extravasam crenças, costumes, amores e gostos musicais. Porém aqui, hoje; 09/09/09, ele é: recomeço.

Finda-se um ciclo e tudo nos remete a nove. Em mim, o exemplo se dá na soma dos dígitos que compõem minha idade atual. Todavia, setembro por si só já nos proporciona mudanças. Quando o nostálgico cinzento do inverno veste-se no emaranhado de cores das flores primaveris. Mas... ainda me falta alguma coisa... falta-me na realidade, o descabido silêncio que pisa no freio quando a vida desce desgovernada a ladeira do seu curso.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Acordado, Sonhadores

Por que me encontro quando me perco em seus olhos, e me perco quando não os encontro?
Responda-me em uma palavra, o que são os riscos deste teu sorriso?
Diz que a vida não acaba na morte. E que a tristeza é só para sabermos o quão bom é ser feliz.
Diz bem de perto que hoje é o primeiro dia do mês de setembro, e seu cheiro vai fazer parte de todas as minhas primaveras, e assim, vou acreditar que os sonhos duram mesmo depois que acordamos.

*Créditos da foto: Teobaldo M. de S. Neto

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

A utopia do horizonte

Percebo o ar parado a minha frente e num lapso transporto-me para outro lugar e ainda assim não me sinto presente em parte alguma. Determino o caminho e não consigo trilhá-lo. Elaboro o projeto e não o executo. Perco-me onde mais me reconheço e só encontro os caminhos que nunca passei. Talvez querer não seja de fato poder, mas quando se quer o caminho para tê-lo se torna mais curto. O que se quer afinal? E o horizonte deixa de ser a utopia do velho uruguaio Eduardo Galeano*e se transforma em algo palpável.







*"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar" (Eduardo Galeano).
** Créditos da foto Teobaldo Marinho de Souza Neto.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

O Livro e a Cachaça, “O Certo e o Errado”

Estou, às sete horas e quarenta minutos desta manhã de domingo, acordado, visto que mesmo tendo despertado às cinco da madrugada só encontrei forças agora para erguer-me. Tenho que ir ao supermercado, por que seria estranho se houvesse o que comer num fim de semana em uma república estudantil. Supermercado! Citando um poeta* contemporâneo: “não é lugar de ser feliz". Não é! Os olhares claramente incomodados pelo simples fato de que meus gostos e traços não se encaixam dentro do padrão.
Confesso! Prefiro, hoje, lugares mais populares. Como mais satisfeito no mercado da feira, que no melhor restaurante da cidade, pelo simples fato de que o primeiro espaço vem acompanhado das verdades cotidianas que fazem parte da vida, e que necessitam de maquiagem para se sentirem a vontade no segundo lugar.
Já não discuto entre o valor das melodias de Mozart e os sons inspirados do mestre Gonzaga, entre a importância de um livro e uma garrafa de cachaça. Por que o livro pode ser mal compreendido, enquanto a cachaça vem sempre acompanhada. Se a companhia for bem escolhida dá conta de uma biblioteca.
Hoje eu escolho brigar pelo que acredito, ao invés de conciliar para simplesmente evitar o atrito. Com isso descubro que não há certo e nem errado. Pois agora é certo para mim e errado para outros, no futuro será certo para todos, ou errado.
Quanto ao supermercado... um garoto de aproximadamente 11 anos foi preso por roubar um pacote de biscoito. Quando a polícia chegou o mesmo gritava – “estou com fome, estou com fome!” Neste mesmo momento em que os policiais saiam do estabelecimento, chegou outro garoto de não mais que 13 anos e estacionou um carro de luxo ao lado da viatura e os soldados nada fizeram. Duas infrações cometidas pelos garotos. Sabe qual a diferença real de uma para a outra? É que o garoto do carro é filho do dono do supermercado.

*Zeca Baleiro.

Créditos da foto: Professor Antônio Claudio Barbosa (Claudinho)