E vão-se os dias, os anos, a vida.
Mas o medo permanece!
Lembrando-nos do que deixamos de conquistar pela simples presença dele...
Que mesmo depois da derrota... Rindo,
Continua ali, fiel... Como um refresco à memória.
*Texto escrito em 25/07/07.


Você é linda! Mas olhe minha face.
Seja para mim a simplicidade escrita a lápis, por que a eternidade torna as coisas fúteis, sem valor. Se expresse de forma rara, como a flor que nasce no deserto. Pois, a que cresce no jardim, é apenas mais uma flor. Ame e encontrará na minha imperfeição as virtudes que fazem dos Deuses perfeitos, e dos poetas, Deuses.
Mas afinal de contas o que é o tempo? E por favor, não me venha com nenhum conceito de dicionário embaixo do braço que esse eu não aceito. Em uma oportunidade bem interessante eu perguntei quanto tempo dura um mês? E ainda bem que fiz essa pergunta para mim mesmo, por que sempre tem um engraçadinho para dizer: “São trinta dias”.Quando penso nesse assunto, ao contrário de grande parte das pessoas a ultima coisa que me vem à cabeça é um ponteiro, dando voltas em torno de um circulo que determina os minutos de cada vida... uma que começa... outra que termina. Em verdade o que busco neste espaço são as relações construídas nele, são as várias possibilidades que este senhor de toda a vida nos permite ou não.Tempo! Uma seqüência inenarrável de acontecimentos em que estranhos passam a fazer parte de sua vida, e com o tempo tornam-se sua vida. Onde a intimidade são só simples e automáticos passos à frente. E que com o passar dele mesmo, o tempo, vocês abandonam essa condição de dois, e tornam-se um. Com duas cabeças, dois corações, mas um pensamento: O de ficarem juntos.Mas, talvez tenhamos nos distraído, porém eu lembro, e falamos nas impossibilidades, e dentro destas está o fato de que por mais que sejamos um, somos diferentes. Amamos, mas somos imperfeitos. E mesmo de mãos dadas corremos o risco de nos perdermos. E é exatamente onde nos encontramos de frente do velho baú da vida, onde guardamos toda essa seqüência de acontecimentos ao qual damos o nome de experiências. Então conversamos. Tomamos cada um, posse de sua individualidade e chegamos à triste conclusão de que mesmo as coisas que duram para sempre, se perdem na inconstância do tempo. E só os momentos são eternos. Por que mesmo que seus donos se percam por alguma faceta do tempo... Eles ainda sobreviveram pela eternidade.
Para que eu haveria de querer poesia?A inconstância do tempo é o paradoxo diante do equilíbrio que a simetria dos números oferecem. Quem viverá mais um século, para reviver este momento? O nove representa o infinito de possibilidades que extravasam crenças, costumes, amores e gostos musicais. Porém aqui, hoje; 09/09/09, ele é: recomeço.
Finda-se um ciclo e tudo nos remete a nove. Em mim, o exemplo se dá na soma dos dígitos que compõem minha idade atual. Todavia, setembro por si só já nos proporciona mudanças. Quando o nostálgico cinzento do inverno veste-se no emaranhado de cores das flores primaveris. Mas... ainda me falta alguma coisa... falta-me na realidade, o descabido silêncio que pisa no freio quando a vida desce desgovernada a ladeira do seu curso.